29 de abril de 2017

Processando Informações


O trabalho de um bom ESPIRÃO

  Eae pessoal, blzinha? Os Sneak Peeks do Maximum Crisis já estão próximos, pack este que não marca só o fim da Era Arc-V como também encerra a leva de suportes para os SPYRALs no TCG. Mas hoje eu não vou comentar sobre o deck todo (ainda. Talvez...) e sim sobre somente o ator principal: Super Agent. Desde o começo todo o arquétipo era voltado sobre essa carta, que apesar de sozinha não parecer nada espetacular, mas que sempre escondia grande potencial (ele é um espião, oras). Mais que potencial, a carta tem o melhor card design que eu já vi em uns bons anos do jogo, isso sozinha, ela avulsa.

 Esse detalhe faz a carta brilhar mais na era em que ele foi inserido: a Era Arc-V foi notória pela 'beleza' acima de tudo; • O anime usando todos os tipos de invocação. • O tema do anime todo sobre união e alegria (os personagens do anime gostam do Yuya invocando todos os dragões de uma vez, por exemplo) • Invocação Pêndulo exaltando o potencial de todas as mecânicas. • Cartas automáticas para chegar em combos coloridos. • O Power Creep mais absurdo que o jogo já viu (em todos os departamentos, até mesmo nas coisas do anime). Tudo isso culminando na aceleração do jogo, na criação de campos 'bonitos', as vezes inquebráveis, e combos de sequências longas, mas que não exigiam muito recurso muito menos habilidade do jogador, salvo poucas exceções. E no meio de tudo isso veio muita carta quebrada, com erros idiotas de card design (a falta de restrição foi o principal deles) ou que tinha o objetivo de ser quebrada propositalmente (os Dracoslayers foram feitos daquele jeito para incentivar combos de 1 turno invocando todas as cores do Extra Deck).

 O efeito do Super Agent está logo abaixo para vocês relembrarem, até porque o efeito dele não se destaca por si só, mas analisando ele a fundo temos uma gema preciosa. Assim como todas as gemas que a TCG fez durante essa era (Burning Abyss, U.A., Kozmo, Kaiju e Subterror) que valem a pena serem apreciadas. Só que hoje, o post é todo dele:


SPYRAL Super Agent
Nível 4 / EARTH] / 1900 / 1200
Warrior / Effect

If this card is in your hand: You can declare 1 card type (Monster, Spell, or Trap); reveal the top card of your opponent's Deck, and if you do, Special Summon this card if it is a card of that type. If this card is Special Summoned by the effect of a "SPYRAL" card: You can target 1 Spell/Trap Card your opponent controls; destroy it. You can only use each effect of "SPYRAL Super Agent" once per turn.




Rede de Informações.

 O conceito principal dos SPYRALs é o de acesso a informações, que por ser o astro do deck, o Super Agent é a carta perfeita para o serviço. Por isso mesmo o efeito que mais aparece na carta é o de revelar a carta do topo do oponente, porém o que faz esse efeito genial é como ele recompensa o jogador de diversas formas: 

 Uma carta com somente o efeito de olhar o topo do oponente seria uma carta ruim, seja ela um monstro com um corpo forte, ou uma Armadilha reativa, somente esse efeito não incentiva o uso. Uma carta com o efeito de olhar e rearranjar as cartas do topo também não atrai por si só, mesmo se a Ancient Telescope pudesse ver o deck todo do oponente e rearranjar as cartas como quiser não faria a carta ser usada. Esse tipo de efeito precisa ser um bônus, algo que a carta tenha a mais ou que para acessar o verdadeiro potencial dela passe por isso.

 Super Agent tem os dois casos em seu card design: se você deduziu corretamente o topo do oponente, você ganha um monstro nível 4 no seu campo com um corpo muito bom pra um nível 4 (invejáveis 1900 de ATK que muito monstro quer) e além disso faz ativar o seu efeito de disrupt, destruindo uma carta Mágica ou Armadilha do oponente. Tematicamente coeso como devia ser para um espião ser uma carta de controle, te dando informação do turno seguinte e ainda melhorando o seu turno atual. Por mais que o deck tenha outras cartas que facilitam você sempre acertar o efeito do Super Agent, a carta não precisa disso, ela é muito boa sozinha, tudo que ela precisa é de um jogador inteligente e atualizado que conhece o meta game e sabe muito bem a porcentagem de cópias de cada tipo de carta de cada deck. A carta te recompensa por jogar bem e conhecer bem o Yu-Gi-Oh, assim como também te recompensa por estar arriscando (um efeito que risco e recompensa não vá te vencer ou perder o jogo imediatamente, diferente de uma certa Grama...), recompensa em dobro caso você foi o azarado de começar o jogo em segundo, destruindo ou forçando cartas que seu oponente não gostaria de usar em um espião intrometido.

 E se você errar a dedução? Ué, qual é o problema? Você ganhou informação. Você não perdeu vantagem de carta, não tomou dano, não fez o oponente comprar cartas, você só deu uma espiadinha no topo dele, deixando bem claro pra ambos os jogadores o que pode/vai ocorrer no turno seguinte. E outra, essa informação é sempre mais útil para você: de quê importa o oponente saber o que vai puxar turno seguinte? Ele só vai poder colocar o plano em prática no turno dele e você vai estar ciente disso podendo, junto do Super Agent, ter as cartas certas para parar a jogada. Cartas com esse efeito valorizam sempre o dono do turno que tem o tempo de se preparar, evitar jogadas surpresas/blefes e saber qual é a sua prioridade e como usar suas cartas para neutralizá-la. Mesmo que você não tenha noção do que o seu oponente vai fazer, a cada carta que ele usar no turno além da que foi revelada (que raramente é a primeira carta que ele usa no turno) é mais informação que você recebe e combinando essas informações você chega a uma resposta! No Turno do oponente! é genial! Nem preciso dizer que Super Agent começando é mais genial ainda: saber o que o seu oponente está jogando e o que ele vai usar é informação de mais!

 Outro fator engraçado da carta é revelar Top Decks desnecessários, seja tanto para o bem do oponente como o seu: em um duelo contra Zoodiac o jogo estava bem travado e o controle da mesa sem dono, era o meu turno e eu usei o efeito do Super Agent para, primordialmente, destruir a ultima Set dele, eu errei na dedução da carta, mas o que eu vi no topo do deck dele foi melhor ainda: um Speedroid Taketomborg!! A carta mais conspiratória que o deck é obrigado a usar e que sempre causa desgraça de alguma forma, ver aquela carta foi um alívio, eu sabia que o meu oponente não iria conseguir me pressionar no turno seguinte e que eu poderia agir com mais cautela. (lembrando que Zoo é um deck onde praticamente tudo é um Top Deck bom) No turno que ele puxou o Taketom ele fez o minimo que podia e no turno seguinte eu consegui dominar a mesa e o jogo, o turno voltou pra ele, ele comprou e concedeu. Devido ao Power Creep forte o meta game atual está cheio de cartas avulsas muito fortes que vindas de um Top Deck podem definir a partida, (Terrortop, Grass, Void Feast, Brilliant Fusion, Raigeki, Zoodiac Barrage e a lista só aumenta) se você der o azar de revelar isso pelo Super Agent você poupa frustração (isso é o principal, acreditem) e se você tiver como responder já ir se preparando, se não tiver esperar/aceitar o pior, em torneios em Match isso pode até te ganhar tempo, concedendo a partida antecipadamente. O efeito da carta é tão simples, mas culmina em tantos pontos interessantes, mas ainda não chegamos no melhor deles:


O ESPIRÃO de Schrödinger

 Um breve resumo do que a teoria do Gato de Schrödinger tenta explicar: temos um Gato dentro de uma caixa fechada com uma bomba cujo pavio está acesso, mas existe a possibilidade dessa bomba não explodir. Depois de um tempo voltamos a caixa e abrimos, aí sim saberemos se o Gato morreu ou não. Porém, enquanto nós não temos essa certeza, o Gato está vivo ou morto? Enquanto não abrirmos a caixa, de acordo com essa teoria, o Gato está num estado de Vivo e Morto ao mesmo tempo, uma vez que são ambas probabilidades válidas (50% cada), ou seja, o Gato só irá viver ou morrer se nós tivermos certeza do ocorrido. Nossa curiosidade vai matar ou não o Gato.

 Confuso, mas essa é a base da Fisíca e Química Quântica e que teoriza o conceito de Multi-Universos. A carta ao lado pode te dar uma ideia de como analisa-la. Aliás, como diabos isso tem haver com o Super Agent de alguma forma? 

 O Gato é o jogador (dono do Super Agent), a bomba é o Top Deck do oponente, numa situação em que este jogador é o vencedor e o perdedor da partida ao mesmo tempo (dependendo do que for revelado). Como abordar o efeito do Super Agent agora? Eu escrevi de forma vaga para vocês entenderem melhor meu raciocínio desde o começo: suponhamos uma situação em que o estado do jogo está incerto e revelar uma carta X do topo do deck te faz perder o jogo. Essa carta X é uma carta Mágica, e o deck do seu oponente tem mais cartas Mágicas em probabilidade com Monstros ou Armadilhas. Nesse caso você usaria o efeito do Super Agent pedindo Mágica? Continua confuso e absurdo, porém é uma forma de se pensar no efeito da carta, probabilidade não significa absolutamente nada, você pode pedir Mágicas contra um deck que tenha 39 mágicas nele, mas tem 1 monstro e esse 1 monstro pode ser a carta do topo do seu oponente. Você pode errar o efeito do Super Agent mesmo seguindo um dos maiores conceitos da matemática e, ironicamente, é bem provável que isso aconteça várias vezes. Agora voltando a situação hipotética, você se permitiria a pedir Monstro ou Armadilha somente para não perder o jogo revelando aquela carta Mágica X?

 Vou mudar um pouco a ótica da questão, e se a carta revelada for lhe garantir a vitória: numa outra situação hipotética, se você revelar uma Armadilha no topo do oponente você vence o jogo, mas o deck dele usa poucas cartas Armadilhas em proporção com as outras, além disso não invocar o Super Agent pelo seu efeito lhe faria perder o jogo. Você pediria Armadilhas com o Super Agent mesmo assim?

 Pode parecer besteira teorizar tanto assim  a respeito de Yu-Gi-Oh, como se o jogo fosse inteligente o bastante para permitir tais situações, mas por mais besta que o jogo seja, situações críticas dessas volta e meia aparecem sim! Pode parecer que é a sorte que vai definir o vencedor, quando na verdade é a decisão do jogador. Eu posso ser um covarde e pedir Monstro ou Mágica na situação acima, porque é a decisão mais segura, ao invés de pedir o que me daria a vitória automaticamente. Assim como na Situação 1 eu posso ser corajoso e pedir Mágicas mesmo que eu revele a carta que causaria a minha derrota. O simples fato de uma interação intrigante dessas existir me mostra que fizeram um puta trabalho com o card design do Super Agent, mesmo que a realidade do jogo valorize bem menos as decisões dos jogadores, principalmente nessa Era Arc-V. A carta cria interações que sempre valorizam a decisão do jogador acima de tudo, lhe recompensando por todos os fatores que eu já discuti nesse post, o que faria um card design desse ser jogado no lixo se a carta fosse ruim. O que ela definitivamente não é:


Espionando seus Aliados.

 Mesmo que o arquétipo de SPYRAL não seja bom o bastante para competirem sozinhos no Meta, o Super Agent carrega o time para decks com outras estratégias (justamente por ser o foco do grupo). Nesse aspecto, o que chama a atenção é o fato do Super Agent ser um monstro nível 4 que valoriza um bom jogador, se você souber como abordar a sua carta você ganha um material a mais no campo para expandir as suas jogadas, ou então você usa ele como um bait para retirar respostas importantes do oponente. Além de que o arquétipo possui ótimas cartas para duplicar o valor da carta (SPYRAL Resort lhe dá acesso fácil a carta, SPYRAL Tough amplia o dano que a engine pode causar, SPYRAL Quik-Fix busca cartas para tornar o Agent uma ameaça e a SPYGAL Misty  aumenta consideravelmente o número de vezes que você vai aplicar o efeito dele) deixando ele facilmente misturável com outros decks, ainda mais nessa leva de decks de 60 cartas que precisam de mais de 1 engine, os espiões podem acabar entrando em alguns deles.

 Mais notório é a mistura de SPYRAL com Zoodiac, que além do material pra Xyz Rank 4 o deck ganha acesso a Resort que recicla as Ratas que sobraram no cemitério, assim como outros monstros chaves do combo principal. (para repetir no turno seguinte) A carta é tão bem feita que permite ser experimentada pela criatividade do jogador de como e onde ser usada sem se desvirtuar ou quebrar o jogo. Não sei até onde tudo isso foi pensado e testado de ante-mão, mas a carta é sim uma das mais bem feitas em um longo tempo.


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  Antes de encerrar, só mais um tópico meio ácido a se comentar, esse é o ápice de iniciativa do TCG no jogo em muito tempo: lançar 6 arquétipos novos, por conta própria, em uma era do jogo (vindo de testes no passado com Noble Knight com 1~2 cartas novas por pack) e fazer isso muito melhor que até mesmo o OCG sonharia em fazer. O TCG criou meta (um deles relevante até hoje, abençoai deus Dante), criou 4fun com coesão temática e fator diversão de qualidade, inclusive as exclusivas avulsas de cada pack com interações novas e card design bem feito. Palmas também para os Coreanos que criaram suas exclusivas também por um curto período de tempo, mas que também dão de 10 à 0 nas bizarrices que o Japão criava. (Paleozoic é tematicamente incrível e funciona muito bem apesar do estilo de jogo inusitado) O argumento que sempre me força a dizer isso é a comparação de cartas degeneradas entre os 3, principalmente em relação a falta de restrição em cartas: a TCG diz abertamente em seu blog quando uma carta tem ou não restrição e porquê, Quik-Fix é um ótimo exemplo se comparar com Plushfire e Ratpier. Tem uma clara diferença de atenção e teste colocado em cada uma das cartas, a profissionalidade do TCG e da Coréia são muito superiores em relação a criação de cartas. Tirem as conclusões que quiserem desse meu último parágrafo, estou ansioso para ver como o TCG vai abordar a nova forma de se jogar Yu-Gi-Oh com os Links e eu vou de prontidão comparar com as cartas do OCG (que estão vindo ruins propositalmente e por isso falta restrição na maioria delas. O OCG acha mesmo que reduzir a qualidade das cartas vai arrumar o Meta Game? O  Firewall não foi feito pensando em um formato rápido.). 

 O post ficou extremamente grande, peço perdão, talvez eu tenha me excedido demais, mas agradeço a todos que leram até o final e gostaram, deixem um comentário se possível. Até qualquer outro dia, tenham uma boa semana e falous!


Comentários
1 Comentários

1 Comentários:

Guilherme Costa disse:
2 de maio de 2017 21:44

GX