31 de outubro de 2016

A Teoria do 2500 e do 3000


Eu procurei uma imagem bacana dele com o Mago Negro, eu juro.

 Eae pessoal, blzinha? Todo mundo já deve saber da tradição que a franquia segue com o anime de sempre fazer a carta principal do protagonista ter 2500 pontos de ATK e a do seu rival 3000. Mas não é exatamente disso que eu vou falar, esses dois números tem uma importância danada no próprio card game em relação a card design de monstros. Por muito tempo eu acreditava que pontos de ATK e DEF tinham perdido a importância no jogo, "se o monstro tiver um efeito bacana ele joga, simples assim." mas eu sempre me esquecia de que um desses status importa muito. É com ele que você alcança a primeira, a principal e mais aplicada forma de vencer um duelo: espancando o seu oponente. 

 Pontos de ATK importam muito e as regrinhas que a Konami usava pra balancear as cartas nesse sentido foram todas sendo esquecidas uma a uma depois da integração de Synchros e Xyzs, exceto uma e que é ao meu ver, o aspecto que define um monstro fraco, um monstro forte e um monstro muito forte. Esse post vai ser mais matemático, mas o que eu quero tentar mostrar é que é  como o anime influenciou o card game dessa forma bem indireta.



2500

 Começando pelo número menor e o que mais tem informação a dar, esse é o número que define o monstro fraco do monstro forte. Mas antes uma breve explicação de como esse número ganhou esse posto tão importante: o protagonista é o personagem mais influente da história, o cara que mais duela e o que vai fazer o maior merchan do card game pro publico e consequentemente, a carta ás dele se torna uma das cartas mais populares do período. E como fazer essa carta se destacar ainda mais? É só fazer com que ela seja um parâmetro do que vier. 

Um bom exemplo pra explicar isso é o Number 39: Utopia, a primeira carta Xyz lançada que criou a primeira regrinha na criação de Xyzs Rank 4, monstro de 2 materiais genéricos não deve ter mais de 2500 de ATK. Pode conferir, não tem um monstro que supere essas condições, mesmo monstros não-genéricos de 2 materiais eles vão ou parar nos 2500 ou passar por bem pouco (a não ser que tenha uma condição especial pra abusar desses pontos, Number 85: Crazy Box, por exemplo). E isso não é algo de hoje, desde o Yu-Gi-Oh GX, mas principalmente do Yu-Gi-Oh 5D's, essa regra se aplica. Para ter um ataque que supera a média tem que vir com alguma condição, restrição ou dificuldade.

 E o impacto disso no card game é o que eu citei no começo dessa sessão, como os monstros propaganda do jogo tem 2500 de ATK (e que são fáceis de invocar) qualquer coisa que tenha menos que isso vai ser fraco, justamente por não ficar na média. Isso se aplica aos seus monstros que aplicam pressão no oponente, principalmente aos monstros de Extra Deck, o ideal é que, se lá estiver a sua win condition, a sua média de ATK seja de 2500 ou maior, porque é garantia que você vai conseguir bater por cima de qualquer coisa nela e abaixo dela. Destruição por batalha pode parecer redundante nessa época do jogo, mas confiem, é a que mais faz diferença, principalmente num Meta Game cheio de negadores e onde os maiores beatsticks tem o mesmo ATK. Vou falar um pouco disso na sessão dos 3000 e citar um certo alguém.

 Por ora vamos falar dos fracotes, Dark Law! É de você mesmo! Dark Law + Rafflesia/Sapo/Infinity + Counter Traps é um campo considerado muito forte por que uma carta protege a outra e faz o atrapalhador principal (Dark Law) gerar valor. Só um ABC Dragon Buster sozinho, mais nada, também é um campo muito forte (mesmo desconsiderando o efeito Floater Supremo dele) porque ele é o atrapalhador principal e é grande, 3000 não é brincadeira. Sabe como a maioria resolve o Dark Law? Atropelando ele, arranjar um monstro com mais de 2400 não é uma tarefa difícil pra nenhum deck, e o Dark Law não interrompe a vinda dele. Somando tudo isso, só um Dark Law na mesa é um campo muito fraco! Surpreso? 

 "Mas são só 100 pontos de diferença." Mas uma diferença, eu aposto que se o Dark Law tivesse esses 100 a mais de ATK ele seria deus vezes mais formidável do que ele já é, o oponente teria que gastar os materiais do Utopia the Lightning pra atropelar ele ou fazer uma criatura acima da média, e isso requer recurso e tempo. Enquanto o Dark Law não tiver isso ele vai precisar de amigos para protege-lo.

 Um outro exemplo do contrário, não muito longe de HERO: Bahamut Shark. Ele é o invocador dos sapos no deck, mas ele além disso é um corpo na mesa, um corpo grande diga-se de passagem. O oponente precisa juntar pra lidar com o campo de Dark Law, Sapo e Bahamut: 1 monstro na média ou levemente abaixo + 1 isca pro sapo + 1 efeito de destruição ou 1 monstro acima da média. (desconsiderando a sorte grande de puxar a isca e uma carta que sozinha faça o serviço) Se você não tiver o efeito de destruição junto da isca você vai ter que atropelar o Bahamut também, o problema é, arranjar monstros acima da média nessa situação de desvantagem não é fácil. E você não pode deixar ninguém sobrando na mesa porque não vai resolver o problema também! Você vai ter que gastar os materiais do Utopia, você vai ter que fazer uma jogada super errada pra poder arrumar a cagada ou você vai ter que tirar a sorte grande. Tudo isso por causa de 100 pontos. Confia, faz muita diferença.

 Interessante que o Utopia the Lightning é a carta chave nessa discussão, ele só vem uma vez no duelo pra arrumar um campo ou um monstro problemático, e você tem que fazer ele valer, não dá pra perder os materiais nele num tubarão porta-sapos. Nesse formato cheio de unbreakable boards acho que Utopia define bem mais do que os próprios Kaijus, porque ele não requer sorte, ele sempre vai estar lá esperando seu chamado no Extra Deck. Interessante também que ele é um monstro na média e acima dela, recentemente eu ando respeitando o card design dele.

 "Mas e os 3000, Su?" Ah, esses daí são mais outros 500.


3000

E para enfrentar o protagonista, deve haver um rival a altura, com uma carta capaz de botar até mesmo o ás de seu arqui-inimigo em cheque. Nada mais justo do rival ter um monstro com maior ATK pra que seja empolgante a forma como o herói vira a partida. E esse aumento no ATK é doloroso pro jogo, muito, porque cada jogador só tem 8000 de LP

 Agora a comparação não é mais só entre monstros, e pra isso eu vou precisar de conceitos do Pokemon TCG pra me esclarecer: nesse card game o jogador não tem pontos de vida, mas sim tem um limite de cartas prêmio que ele pode ceder ao oponente, cada Pokemon derrotado o oponente pega 1 ou 2 cartas prêmio, quem pegar todas vence. Quem tem pontos de vida são os pokemon e garantir a sobrevivência deles é importante, no jogo o mais normal é ocorrer 2HKO (2-Hits Knock Out, derrubar ele com 2 ataques, aplique essa tradução pras outras siglas) ou 3HKO, e essa ultima é o que geralmente com o pokemon do Yu-Gi-Oh, o LP. 8000 parece muito, mas quando existem monstros de 3000 de ataque, em 3 pancadas você morre, e não tem mais outras 5 chances como no pokemon, você perdeu! Com monstros de 2500 seriam necessários 4HKO, mas é muito raro você conseguir chamar 4 monstros na média e todos eles conseguirem acertar o oponente, o que geralmente acontece são 1 monstro acima da média, 1 ou 2 na média e 1 ou 2 abaixo dela, não deixa de ser 4HKO, só que ele não aconteceria se não tivesse uma carta acima da média na mesa. 3000 de ATK é muito, já vi muitos jogos que o dano que ele deu batendo nos bichos na média ou levemente abaixo dela fizeram com que os outros trocados que ele tinha na mesa matassem o cara. Pior ainda as jogadas passivas de primeiro turno em que o cara só baixa um bicho de 1800 pra baixo e passa. Ai é pedir pra ser atropelado, e quem deixa isso possível são esses gigantes de 3000.

 A linha tênue nesse caso é bem mais delicada, 3000 de ATK é muito forte, mais que isso é absurdo! Decks de dragão tem essa brutalidade como aspecto principal, chegando até criaturas de 4000 de ATK, 2HKO. O deck perde consistencia pra chegar nessas criaturas, é uma troca equivalente no fim.

 Mas ai vem o certo alguém, Blue-Eyes Alternative é uma carta que precisa muito ser genérica, é o Kaiju "Justo", ele é basicamente um monstro de 3000 que vem de graça. Parece e é muito forte, mas o formato que estamos ameniza bastante o seu impacto. O efeito dele só contribui, você escolhe como lidar com o campo do oponente, atropelando ou alvejando e destruindo, um card design bem sólido e que é um destaque do que faz Blue-Eyes bom hoje em dia. Ele possui uma condição considerável de invocação, não impede o oponente de usar seus floaters como o Kaiju e é a resposta ideal contra campos como Dark Law Sapo Bahamut por exemplo, você não vai usar ele de isca, você vai usar ele como a criatura acima da média que seu oponente não te deixa invocar. Isso é muito mais justo do que "Opa, minha tartaruga pisou no seu monstro. Cuida dela pra mim, otário!" apesar dos pesares. Uma carta dessas vindo alguns anos atrás, senhor... Pânico!

E como eu disse, o deck perde a consistência pra poder botar esse tamanho de pressão na mesa, então é menos comum acontecer OTKs (é bem possível, mas precisa de cartas específicas) fazendo os dragões atuarem como uma forma de Controle bem Agressivo. Resumindo bem o que acontece no Meta Game atualmente, você dá stun no oponente por um turno e no seguinte atropela ele com aquele campo padrão que eu falei na formulinha. O que é um incomodo pra todo mundo, mas é levemente interessante de se aprofundar.

 E aqui um monstro de nível absurdo, se você ver um desses você já está morto. D/D/D tem uma peculiaridade engraçada, ele consegue ganhar jogos à força, literalmente. Não só é um deck com um soft lock decente como também consegue criar campos de mais de 10000 de dano muito fácil. Não importa como o seu campo estiver eles tem total condição de atropelar o campo todo e catar a vitória. Felizmente esse tipo de criatura é rara no jogo, mas é definitiva contra os tradicionais monstros de exatos 3000. (a média que está acima da média, acho que deu pra entender)

 Eu não sei bem minha posição quanto a tudo isso, talvez o jogo tenha sim monstros muito fortes com relativa facilidade de invocar, principalmente esses de 2500 ou mais. Deixa o jogo bem rápido e qualquer desleixo você praticamente entregou o jogo pro oponente, só que isso é o fenômeno que acontece em todos os card games: o power creep de todos os jogos segue o mesmo exato curso, por mais lento que suas mecânicas sejam. Ele tende a ficar rápido, os jogos ficarem mais curtos e os missplays serem mais game-changer. Pokemon TCG está assim com os Pokemons EX (que dão 2 prêmios ao serem derrotados), Hearthstone está bem mais focado na curva de mana baixa para controlar o jogo no Early Game e causar letal antes do turno 6 se possível, Magic, do pouco que eu joguei é bem rápido também. Por essas e outras eu não sei ao certo minha posição, talvez ele esteja um pouco rápido demais, mas eu odiaria um formato muito lento de vários turnos porque os decks são ruins e fracos. Talvez devessem alterar a regra e aumentar o LP dos jogadores (10000 é um número considerável), eu realmente não sei o que fazer nessa situação (o grind de BA e Monarca é bem legal, porque mostra muito do potencial oculto de decks absurdamente fortes, mas as partidas são um pouco tediosas mesmo assim) E como um amante de dragões, em qualquer card game que eu for, eu vou preferir usar decks mais agressivos. Eu não consigo falar muito mal de monstros grandalhões. 

 Minha conclusão não era importante nesse post, o que eu queria mesmo era mostrar essas informações que são importantes, que passam despercebidas e que podem ser úteis em futuras análises do jogo.


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  É sempre bom analisar o jogo dessa forma matemática e calculada, até porque é um jogo em que sorte e probabilidade andam lado a lado e também porque existem coisas concretas que dá pra enxergar de forma mais precisa. Mas acho que o que mais me empolgou escrever esse post é ensinar mais coisas sobre card design pra vocês, o card maker pode sim ser uma boa ferramenta pra entender melhor a natureza do jogo e essas informações ajudam a criar cartas boas, de card design sólido, mas sem ser injusta ou absurda.

 Espero que este post tenha sido útil/interessante e de fácil esclarecimento. Minha programação de posts vai ficar em hiato até quando eu tiver um tempinho livre que dê pra escrever tudo de uma vez (quem é redator sabe o quanto de post em rascunho que eu larguei, eu simplesmente não consigo não escrever tudo de uma vez) e que a luz da inspiração bata na minha cabeça. Mas eu estou de olho em tudo!! Então, por isso, tenham um bom tempo, e até a próxima! Falous!

Comentários
4 Comentários

4 Comentários:

Lucas Santos disse:
31 de outubro de 2016 11:30

otimo site e otimo post, melhor coisa que me aconteceu no mundo do yugioh foi ter encontrado esse site. Continuem sempre com esse trabalho

Diogo Mesquita disse:
31 de outubro de 2016 14:11

Também gosto muito do site, estão de parabéns e continuem fazendo este ótimo trabalho.

Joao Lucas disse:
31 de outubro de 2016 18:28

@Subonito mito, vc precisa mitar mais vezes com posts assim rapaz. E agradeço a todos pelos elogios ao site.

jhonata henrique disse:
31 de outubro de 2016 23:54

Todo sentido