23 de setembro de 2015

Quero aprender sobre Yu-Gi-Oh! mais rápido, é possível?



É possível sim.


Disclaimer: Não sou nenhum excepcional jogador, daqueles que quando entra em um torneio vence todos, nem mesmo demonstro ter as skills mais elevadas. Só apenas sou o cara que gosta de análises sobre o jogo. E meu gosto por análises aliado a meu gosto pela escrita me faz vim aqui e escrever algo sobre o jogo. Ponto. Possivelmente nem todos vão concordar com o que eu disser ou/e seu orgulho não o fará seguir as instruções a seguir, porém, garanto aos que vão tentar seguir os métodos e até melhorá-los, que dá certo. 


O jogo é composto de personagens interessantes. Vejamos se você se identifica com algum deles:

Os iniciantes: Geralmente são pessoas que estão conhecendo o jogo agora e que portanto, não tem o tato para reconhecer se algo é bom ou não. Pela facilidade que a internet oferece, provavelmente eles começam online. Raros os casos vão para vida real, a menos que já joguem outro cardgame, mas isso não importa na questão que vou abordar, já que o passo a passo serve para todos.

Os amadores: É aquele amigo que joga já há algum tempo, mas que ainda não gastou tanto tempo que deveria em um deck para conhecê-lo bem a fundo, e mesmo assim, já joga com vários outros decks porque se deslumbra com a quantidade de cartas e possibilidades. Ele tem noção sobre algo ser bom ou não, mas não enxerga jogadas mais complexas ou movimentos mais bem pensados pela falta de experiência com o deck e com rulings.

Os aspirantes: Eles estão acima dos amadores na questão de experiência e conhecimento de cartas e rulings, reconhecem novas techs quando as veem, conseguem descobrir inovações quando se aprofundam em um deck, porém, não tem o feeling de um jogo na vida real. Perdem games por detalhes por conta de uma leitura do oponente sobre suas atitudes e reações quando começam a sair do mundo online, para o mundo real, não jogam torneios regularmente.

Os Semi-Pros: São jogadores que tem uma experiência e conhecimento vasto sobre o jogo, acostumados a jogar torneios na vida real. O que separa esse grupo do grupo dos Pros é sua capacidade de se adaptar as situações do metagame, pois ainda existem jogadores que não prestam atenção no que está acontecendo ao redor dele e o fato também de ter condições de manter os altos custos do jogo.

Os Pros: São jogadores rodados e que geralmente tem muito tempo de jogo, então sabem o que está acontecendo ao seu redor: Qual a hora certa de vender ou trocar um deck, ter sempre segunda e terceira opção de deck (Esse é um fator que depende demais de fatores externo$$, como eu disse), saber fazer um excelente metacall em grande parte dos torneios, ou seja, são jogadores que fazem a própria sorte. 

Portanto, qual o tipo que vocês se encaixam? Dá para melhorar, não é? Esse é o intuito desse post. Alguns devem já fazer o passo a passo descrito mais abaixo, mas deixam passar alguns detalhes primordiais. Outros seguem o passo a passo direito, mas não tem tempo para isso e acabam atropelando algumas coisas, por isso, tentarei colocar o máximo possível de detalhes nele.

1. Netdeck um deck que você queira testar;
2. Consiga um jogador que esteja numa categoria igual ou melhor que a sua;
3. Jogue pelo menos 10 jogos com o deck;
4. Faça anotações;
5. Mude o deck e tente uma variação diferente para comparar e ver qual o melhor;
6. Foco nos detalhes e tente encontrar um meio termo.


O primeiro passo é o mais polêmico: Jogue com um deck que topou em algum lugar, ao invés de tentar uma build sua diretamente. O ponto aqui não é copiar o trabalho todo do cara e desmerecer o seu, é apenas começar de um ponto que deu certo. Esse passo é deveras importante também para você saber e delimitar o poder do deck e de cada carta que tem nele, e começar a ganhar o tato de o que é e o que não é bom. Vamos usar de exemplo o Satellarknight.

Entretanto, não é pegar o Satellar e ir no pool do DN rezando para você pegar alguém bom. Você tem que fazer exatamente o que o segundo passo diz: Achar alguém tão bom ou melhor que você e ele te ajudar nisso. É mais um par de olhos que vai verificar sua decklist e chegar a uma build nos passos seguintes, e principalmente: É o cara que durante o duelo vai debater com você sobre cada jogada antes dela ser feita, te dando o tempo necessário para pensar e até voltar o movimento caso seja necessário para melhor aprendizado. 

Depois disso, vem os primeiros jogos. Como o terceiro passo diz, são 10 jogos onde você jogará com vários tipos de deck, aqueles que são bons e aqueles que não são tão bons assim. Separe os jogos dessa maneira, pois a mesma importância que você dá para uma match contra Nekroz não pode ser a mesma importância que você para uma match contra Constellar. 

Então é aí que começa o quarto passo, as anotações. Mesmo que você enfrente Constellar, faça anotações sempre que puder sobre o deck. Quando enfrentar um deck com o nível de importância do Nekroz, discuta antes os pontos fracos e fortes com seu parceiro. Não faça nada correndo. Não somente isso, observem que durante seus testes haverão jogos onde você pode perder por um topdeck de Dark Law estando com o jogo controlado, poderá ter jogos em que somente depois do duelo você vai perceber que poderia ter feito algo diferente e não fez. Jogos em que seu oponente pegou uma mão ruim e você uma mão boa não são justos, assim como jogos em que você abre cheio de armadilhas e você vendo o deck vencendo por você. Esses são jogos que não contam nas estatísticas, mas que devem ser anotados. Se puder e gostar, estatísticas ajudam demais e até deixam o trabalho mais objetivo, ao meu modo de ver, é uma boa tentativa.

Feito os 10 a 20 jogos contra decks importantes, onde você aprendeu tudo que precisa sobre eles, você está apto a mudar ele. Com base nas suas anotações e conclusões sobre o porquê do sucesso da build, faça suas mudanças. Entramos no quinto passo, onde você invés de jogar agora com um Satellarknight puro, você vai tentar um Star Seraph Satellarknight. Repita o passo 3 e 4 e depois vá para outra variante, como Traptrix Satellarknight ou Noden Satellarknight. Esse é o passo mais longo e talvez o passo que as pessoas deixam passar mais detalhes que são extremamente relevantes, por isso devemos anotar absolutamente tudo e deixar guardado, para que no final, o passo 6, seja o resultado de um trabalho duro e cansativo. 


Por exemplo, após ler todas as anotações que fiz e relembrar alguns games contra decks chaves, eu acho que Noden Satellarknight é a melhor dessas variantes para o campeonato que se aproxima e decido ir com ele. Entramos no sexto passo, agora em busca dos detalhes. Você conseguiu pegar a ideia geral, conseguiu observar que o deck tem uma base e conseguiu identificar a melhor variante, e agora é o passo que separa os homens dos meninos, que provavelmente determinará o game. 

Que tipo de detalhes você fala? Vocês perguntam. Após algumas semanas de estudo sobre o deck, você descobre que pode mudar muitas coisas neles sem alterar sua base, por exemplo:

- A Trap Line: Com Noden, a necessidade por 3 Call of the Haunted e 2/3 Oasis não é necessária. Onde que entra possíveis armadilhas especiais ao invés de staples, como Mind Crush, Soul Drain, Mind Drain, Imperial Iron Wall e até a reposição por Hand Traps, como Maxx "C", Honest e Effect Veiler. 

- Spell Line: Usar ou não Soul Charge? Abusar de 2 Dark Holes para triggar os efeitos de um Triverr e Delteros? Usar Satellarknight Skybridge? Quantas?

- Extra Deck: Se usar Satellarknight Skybridge, usar quantos Tellarknight Ptolemaeus? Tirar qual Rank 4 staple para colocar ele no lugar? Usar qual Xyz Satellarknight para anexar nele pelo seu efeito? Usar Satellarknight Constellar Diamond? Usar algum monstro Xyz no side? Qual Ranks 4 devo usar?

São várias perguntas e detalhes que você deve responder para determinar qual é a melhor decisão. E esse é outro passo que as pessoas atropelam ou deixam de fazer. Cada pergunta tem um processo de teste diferente, onde você tem que repetir os passos 3, 4 e 5. Você chega no passo 6 para decidir uma variante, mas precisa depois voltar ao passo 3 e fazer tudo novamente para chegar aos melhores detalhes. 

Complicado? Mas vale a pena. Você vai desenvolver tudo que um jogador precisa para ser profissional e consequentemente alcançar novos níveis. Sem contar que você aprende demais com o deck building e isso pode ser determinante em um Draft. Com o tempo você acaba pegando sensibilidade para esse procedimento e acaba simplificando-o ou transformando-o em algo melhor a sua maneira, mas é preciso sangrar se você quer ser o melhor.


Espero que o post tenha sido de muita ajuda. Volto semana que vem com mais. Até mais, galera o/

Comentários
4 Comentários

4 Comentários:

Joao Victor Pereira Batista De Deus disse:
23 de setembro de 2015 21:42

Cara foi um bom post eu to semi-pro e tbm acho que não e só ver qual das listas e melhor e sim tbm ver com qual VC tem mais facilidade de jogar

Revenge disse:
23 de setembro de 2015 21:47

Quais sao os meses em que temos Ban List, tanto OCG qnto TCG?

Akagif Zexual disse:
24 de setembro de 2015 00:26
Este comentário foi removido pelo autor.
Akagif Zexual disse:
24 de setembro de 2015 01:04

Excelente post.
Mas me considero um meio-termo entre semi-pro e aspirante (já topei alguns torneios pequenos aqui na minha cidade/região, mas preciso adquirir mais experiência em eventos mais grandinhos).

Me lembrou um post antigo da Duelshop (http://duelshop.com.br/blog/yu-gi-oh-tcg/como-montar-seu-deck/) e é super interessante ver alguns pontos em comum e outros diferentes em relação ao ponto de vista de alguns jogadores.
Esse tipo de postagem sempre acaba sendo interessante. Conhecimento a mais nunca é ruim xD

Acho que vou passar a fazer essas tais anotações, normalmente eu faço esse tipo de coisa mesmo, porém não costumo anotar nada, só jogo algumas partidas e depois faço uma relação de como eu me sai em cada uma delas (mentalmente).