14 de abril de 2015

Here Comes a New Card #64: Red-Eyes Flare Metal Dragon


Eu precisava fazer uma homenagem aos Rulers de alguma forma.

 Eae pessoal, blzinha? Já tava com saudades do HCNC e já fazia um bom tempo que eu vinha testando umas ideias bizarras nos simuladores online, nada que serviria para um futuro post, mas teve esse garotão aí que chamou atenção. Red-Eyes Flare Metal Dragon, só o nome já mostra que ele é algo a mais, a peculiaridade da carta que me chamou a atenção (além de ela ser sólida por si só) é o que ela pode representar pra possibilidades futuras do modo de criar cartas.

 Não é mistério que o jogo vem se tornando muito rápido, cada booster novo deixa obsoleto uma penca de cartas enquanto coloca outra penca no lugar, mas tudo tem seu limite. Talvez o dragão do post de hoje esteja bem próximo desse "limite". Então vamos deixar as coisas preto no branco de uma vez:

Red-Eyes Flare Metal Dragon
Rank 7 / DARK / 2800 ATK / 2400 DEF
Dragon / Xyz / Efeito
2 Level 7 monsters
This card cannot be destroyed by card effects while it has Xyz Material. Each time your opponent activates a card or effect while this card has Xyz Material, inflict 500 damage to your opponent when that card or effect resolves. Once per turn, during either player's turn: You can detach 1 Xyz Material from this card, then target 1 "Red-Eyes" Normal Monster in your Graveyard; Special Summon it.



Falta de padrões.

 Flare Metal é a variante "Metal" do Red-Eyes Flare Dragon, que aparece na artwork da Return of Red-Eyes se fundindo com o Black Metal Dragon para formar o próprio Flare Metal. A graça dessa história é: Red-Eyes sempre tentou manter um "padrão" pra seus suportes e evoluções, mas nunca seguem ele.
 • No começo as variantes "Metal" eram a junção de uma criatura (não necessariamente Red-Eyes) com a carta Metalmorph. Foram lançados apenas dois monstros que partilham desse modo de invocação: Red-Eyes Black Metal Dragon e Metalzoa, cartas esculachadas pelos jogadores pelo quão ridículo é para por em campo em consideração a sua falta de efeito.
 • Depois veio o Red-Eyes Darkness Metal Dragon que no anime partilha de um método de invocação parecido, mas utiliza uma outra carta ao invés da Metalmorph. Porém no jogo real a carta ganhou um efeito completamente diferente e como resultado dessa audácia toda a carta se tornou um tremendo sucesso, sendo considerado por muitos um dos melhores suportes que o Tipo Dragão recebeu.
 • Agora temos o Flare Metal que não faz sentido se levarmos em consideração o que a Return of Red-Eyes nos mostra, pois ainda não tem um modo de invocar o Xyz usando apenas o Red-Eyes Flare Dragon com o Black Metal Dragon (que deveria atuar como uma Metalmorph, deu pra ver como fizeram o possível pra não por a bendita carta na história). 

 Eu não me importo tanto com esses detalhes contanto que a carta seja boa, mas é engraçado ver que quanto mais eles tentam "mostrar a cara do arquétipo" mais eles se desvinculam da verdadeira aparência dele pelo bem da competitividade do mesmo. Se vai renovar um deck antigo, respeita suas origens, poxa! (Archfiend foi outro que teve a história praticamente apagada) Mesmo sendo uma mecânica ultrapassada tem como dar jeito, basta eles gastarem um pouco mais do cérebro pra isso. 

Ao mesmo tempo que um lado meu fica feliz pelo fato da carta ser boa, meu outro lado gostaria muito de jogar com um deck bom que usasse Metalmorph, Gamble e todas essas mecânicas que foram abandonadas por pura preguiça.


Consistência I - As chamas da justiça.

   O que realmente faz desse dragão uma carta formidável? O efeito de Auto-Proteção? Se fosse isso qualquer carta hoje em dia seria tão bom como ele. O efeito de invocar um outro Red-Eyes do cemitério? Talvez, ajuda a pressionar o oponente. O efeito de punir o oponente por jogadas grandes? É disso que eu estou falando. Flare Metal é um monstro sólido, olha que eu já falei muito sobre cartas sem efeito de Causa e Consequência, esse aqui dá o passo na direção certa a respeito disso (um pouquinho exagerado, mas o incentivo está ali). O post todo a partir de agora vai focar em mostrar como todos os efeitos desse dragão estão interligados e dão consistência para a carta. E tudo isso devido ao efeito de burn, acreditem ou não. Vou pagar de leigo e falar do efeito de burn sem levar em consideração os outros, só pra mostrar a linha de raciocínio que eu vi para achar essa carta tão bem feita:

 Yu-Gi-Oh é um jogo de investimento, não estou falando no sentido capitalista da palavra, eu digo isso porque tudo o que você faz é investir em alguma forma de vencer o jogo, você investe recursos na carta X porque ela é a sua melhor win condition, mas quando a mão não vem boa você investe na jogada Y, pois para aquele momento essa é a sua melhor win condition. E quando se trata de investimento, recurso é uma palavra chave, e no jogo, geralmente, quem tem mais recursos ganha. Por causa desse motivo se tornou comum cartas floaters e cartas com efeitos de auto-proteção, muitas vezes garantir a sua vantagem no jogo (garantir a maior quantidade de recursos jogáveis) lhe garante a vitória também, esse é um dos segredos que tornam Burning Abyss, Yang Zing, Tellarknight, entre outros um deck consistente: numa situação normal de jogo eles sempre vão ter recursos para jogar. Mas esse não é o único meio para se fazer uma carta (ou deck) consistente, você também pode optar por uma carta como o Nekroz of Trishula, que faz com que ao mesmo tempo que você perde recursos, você tira os do seu oponente. Muitas vezes essa troca não é justa, outras vezes a estratégia nem chega a funcionar por causa de armadilhas ou hand traps e por isso essa segunda opção é deixada de lado: é mais fácil ser preguiçoso e colocar um efeito clichê (draw, search, anti-destruição, anti-target, etc.) e fazer a carta ser boa do que se esforçar em fazer uma carta boa, sem usar essa fórmula, com um efeito bem pensado. Dessa forma que surgem cartas virais como Spellbook of Judgement, crianças.

 Flare Metal mostra que tem sim um jeito de concertar as coisas. "De que jeito?" você me pergunta, oras, fazendo o seu oponente pensar, eu respondo. Esse efeito de burn é, na minha humilde opinião, genialmente do caralho, todo o texto foi escrito de modo com que ao invocar o dragão, independente do cenário do jogo (salvo minúsculas exceções), meus recursos foram bem utilizados e sabe por quê? Porque do mesmo jeito que eu sacrifiquei algo para construí-lo, meu oponente vai ter que sacrificar para destruí-lo. Não precisa mais de cartas indestrutíveis ou que sempre buscam outras para serem jogáveis, basta fazer cartas que fazem o jogo ser mais dinâmico: voltando ao efeito do Flare Metal, até mesmo cartas de negar o efeito vai iniciar uma corrente e consequentemente vai dar dano no oponente, todo o meu trabalho de invocar dois monstros nível 7 já está dando resultado, se esse resultado vai ser de longo ou curto prazo depende não somente de mim, mas também do cara que tá do outro lado da mesa, você pode até se esquecer, porém daquele lado também tem um ser pensante.

 Tem-se uma ideia errônea do pessoal de pensar que monstros como Beelze são segurança garantida, que ao serem invocados você entra numa zona de conforto por boa parte do jogo, mas uma má sorte sua e um pé de coelho do oponente podem botar tudo o que você fez a perder em instantes. O Flare Metal sim é uma segurança garantida, minto, é uma justiça garantida, pro cara tirar o bicho de campo ele vai ter que pagar o preço, seja ele pequeno ou grande. O fator sorte e azar se aplicam bem menos nessa situação e isso mostra a genialidade do efeito. Se o dragão só tivesse esse efeito e nada mais eu iria gostar dele mesmo assim, não seria tão poderoso, mas ainda seria uma boa ideia bem executada e é isso o que eu procuro valorizar acima mesmo do potencial da carta.


Consistência II - Osso duro de roer.

 Elogiei, elogiei e elogiei a carta para ser apunhalado pelas costas. Ou talvez nem tanto, o efeito de auto-proteção no Flare Metal acrescenta na qualidade da carta como um todo e também dá mais valor ao efeito de burn. Dois monstros nível 7 não é uma tarefa tão fácil de fazer acontecer e você não gostaria de ver o oponente tomando apenas 500 de dano pelo efeito do dragão que você penou pra invocar. Aí é que entra o efeito de se auto-proteger! Se ele não existisse, na gritante maioria das vezes, todo o seu esforço seria chutado pra um balde de lixo sem dó nem piedade e o oponente nem ao menos iria precisar pensar antes de jogar, basta ativar uma Mirror Force aqui, Dark Hole e Raigeki ali e pronto, tiramos a pedra do sapato. Com um Flare Metal mais defensivo nenhuma saída pro dragão será fácil, isso dá um gás a mais pro duelo e faz o seu oponente pensar nas mais diversas possibilidades, isso se ele se importar com a própria vida. 

 Eu já vi muito de pessoas perderem o jogo porque não deram valor ao efeito de burn do Flare Metal, já duelei contra negos que pagavam mais de 3000 de LP só pra encher o campo de monstros e nem ao menos tocar no meu bichano. Claro que existem jogadores e jogadores, mas o ponto é que o efeito do Flare Metal pode garantir jogos e tudo isso graças a sua durabilidade em campo. Estão vendo o que é usar o clichê a seu favor? Essa carta me dá arrepios toda vez que eu leio o efeito, é muito bem feito.


Consitência III - Encrenca em dobro.

 "O que mais que esse bicho precisa? ele já tá mó foda assim." Como todo bom Xyz, ele merece seu efeito de desassociar Matérias Xyz, e novamente, que baita sinergia eles fizeram essa carta ter consigo mesma! O ultimo efeito do Flare Metal permite que você invoque um Red-Eyes vanilla (monstro normal) do seu cemitério pro campo, simples, mas efetivo. O Flare Metal por si só já é uma pressão e tanto pro oponente, que tal ele ter que lidar com um possível segundo Flare Metal? Sabe o que isso adiciona pro duelo? Urgência. Seu oponente poderia muito bem jogar o jogo na defensiva enquanto busca aquela Compulsory ou Dimensional Prison, mas ele não pode, porque a partir do momento em que você invoca o Flare Metal ele tem que lidar com o que vem depois. Basicamente, você assume o controle do jogo a partir daquele ponto ou pelo menos coloca o oponente em estado crítico. Nesse caso, nada de saídas covardes ou golpes de sorte para tirar meu bicho de campo, eu quero ver você pensar, eu quero ver um jogo divertido, eu quero que meu investimento dê resultado já que eu me esforcei pra isso. 

  E apesar de todos esses poréns, o Flare Metal não é uma win condition sozinho, existe muita coisa no jogo que pode tirar o ar da graça dele, mas isso depende de o quão ligado no jogo está o seu oponente. No fim o dragão só é apenas uma carta bem pensada que adiciona na partida tudo o que um bom duelo precisa ter, se não for desse jeito, como o Paulo PRRJ disse em um dos seus vídeos, o jogo que era pra ser de estratégia se torna um Super Trunfo barato e sem graça. De qualquer forma Red-Eyes Flare Metal Dragon é uma carta que não ofende a inteligência de ninguém e faz o jogo ser mais dinâmico. Tem como não amar uma carta assim? Se eu pudesse eu daria um beijo no gênio que inventou essa carta (mas do jeito que a Konami é em relação a seus funcionários... acho que devem ser todos escravos...), na moral. 

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  É, talvez a Konami tenha pensado bem em banir os Dragon Rulers, eles iriam acabar banalizando todo o sentido de existência do Flare Metal. Como viram o post não foi nada sobre Red-Eyes, foi sobre o Flare Metal, depois de tanto post com teor negativo eu tava mesmo precisando de algo que desce aquele brilho nos olhos na hora de redigir, porra, eu fiz esse post inteiro em um dia. Foda!

 Espero que tenham gostado do post, se possível faça o ritual padrão (comentário, críticas, elogios, sugestões, etc.) que ajuda bastante pra qualquer redator. A todos que leram até aqui, e também aos que não leram, desejo a todos uma boa semana e falous!

Comentários
4 Comentários

4 Comentários:

Guilherme Lerry dos Santos disse:
15 de abril de 2015 09:27

Quero um Tellarknight com um efeito parecido só pra deixar meu Tellar Burn mais forte que a variante trapuda.

luiz jose queiroz disse:
15 de abril de 2015 09:54

Como vc disse no início, dava pra ter aproveitado a metalmorph talvez como um tuner se tivessem lançado o flare metal como synchro... Ia ser fodastico ate pq eles lançaram um monstro de estilo metal q equipa com red-eyes, se eles tivessem pensado melhor e lançado o flare metal como synchron equipando com um relançamento da metalmorph versão tuner ia ser mt melhor ate pq o sentido de terem lançado tuner foi por esses estilos de invocação combinada q surgiram no clássico...
Se concorda cmg responde aii

Ótimo post 🌚 ✌

lucasmon disse:
15 de abril de 2015 10:01

Muito boa carta e observação, provavelmente vai ganhar um bom destaque no meta.

Espero conseguir montar um bom deck do number 92 agora, por causa desta carta.

Derek. disse:
15 de abril de 2015 17:07

DAT JOEY FACE! tudo que tenho a dizer