16 de dezembro de 2014

Os quintais de uma casa. (OCG x TCG)



Apenas uma reflexão sobre esse assunto.



De fato, há diferenças. Em época de Banlist, é maior ainda. Chega a um momento que você vê que absolutamente nada no OCG é impossível e que mudanças surgem o tempo todo porque o espaço de tempo entre lançamentos é curto e as mudanças fazem parte do processo natural da coisa, enquanto no TCG ficamos "estagnados" por meses em um mesmo cenário de Metagame, que qualquer mudança brusca (pensem no impacto de um Chaos Emperor Dragon com a errata aqui) é considerada um absurdo, sendo as mudanças daqui (parecem que são mudanças revolucionárias de ideias nunca antes vistas por conta da migração automática dos duelistas para elas) uma corrida contra o tempo enorme para se obter os lançamentos e se adaptar o mais rápido possível para sair na frente em um metagame de meses, que é totalmente monótono, apesar desse fator fazer o jogador TCG ser mil vezes melhor que o jogador OCG quando se dedicam a um deck.

A verdade é que o OCG e TCG são os dois quintais (da frente e dos fundos) de uma casa chamada Konami. 


CPZ1-BoosterJPx  NUMH-BoosterEN
Collectors Pack: Zexal Version (OCG) x Numbers Hunter (TCG)



O quintal da frente, não sei se já repararam, mas é uma coisa mais bonita, que sempre tem que ter uma novidade para quem passa, chamar a atenção. E também para satisfazer o ego da casa, deixar a casa com um ar mais bonito. A Konami no OCG é mais atraente, os lançamentos são arregados, as novidades são imensas, ela agrada a todos, tanto o cara que gosta de um pouco de nostalgia, a aquele que joga competitivamente e busca a temática mais nova, aquilo de mais novo, e ainda eles se deparam com o conflito de ambos, é maravilhoso ver o novo se misturar com o antigo. O jogador, que passa pela casa e vê isso tudo, se sente maravilhado, solta aquele "wow" e acaba jogando aquele jogo, exatamente por conta dessa nostalgia, dessa variedade, dessa enxurrada de mudanças e opções. 

O Oriente não é menos consumista que o Ocidente na minha opinião, eles só querem coisas diferentes. E foi exatamente o que a Konami deu a cada um deles. Ao jogador do Oriente, o prazer de jogar. Yu-Gi-Oh (me corrijam se estiver errado) não é um jogo caro no Oriente, mas dá lucro por causa da coisa toda. Muito lançamento, muito movimento de cartas, muitos eventos patrocinados, muitas lojas vinculadas... Um sistema fora criado lá para que desse lucro. O quintal da frente atinge seu objetivo. 

E não se enganem, no OCG é assim porque existe toda uma estrutura por trás. A cultura favorece, os costumes e o histórico do jogo também. Você está lidando com um cara que precisa além do que ele vê normalmente, que é anime, que é card game dos mais variados e tão acessíveis quanto YGO, nada melhor que dá o que ele precisa e quer, e a liberdade de chegar ao topo usando o que gosta por conta da variedade enorme de suportes, ou por conta de inúmeros campeonatos temáticos licenciados. 

Mas o quintal que fica atrás da casa é diferente. Ele só precisa agradar a quem manda na casa, quem é o dono da casa. E a dona dessa casa gosta muito das pessoas que vão até lá diretamente e indiretamente e voltam sempre. Os fundos não precisa agradar quem passa, não precisa ser o mais bonito, nem mesmo o mais chamativo. Sua única exigência é completar a casa, trazer conforto a casa. É exatamente isso que o TCG é, o quintal que trás bem-e$tar a ca$a, a dona da ca$a. Se você chegou nos fundos e não gostou muito de algo, problema é seu. Você não é obrigado a frequentar, mas algo chamado consumismo, poder e gosto (vício) te faz frequentar. Não sejamos idiotas, Yu-Gi-Oh hoje é um jogo para quem tem condições, e até para quem não tem condições, mas que se vira pra criá-las. Você gosta da sensação de jogar algo interessante e que você até gosta, e também, de mostrar que tem as cartas do momento, gosta dessa diferença de "poder". Existe muita gente que é assim, como também existem aqueles que jogam por conta de uma galera que joga também, ou por conta da diferença que é jogar IRL quando boa parte das pessoas que jogam ao redor ou que a pessoa conhece, jogam apenas atrás de computadores.

O jogador TCG se divide em vários tipos, mas todos eles tem algo em comum: O vício pelo jogo e o fato de gastarem mais do que podem. E isso contribui bastante para o fator preço alto das cartas. Você consumista precisa daquela carta, eu como loja que quero lucro vou colocar o preço lá em cima porque sua necessidade vai ultrapassar suas condições e você vai gastar mais do que pode para comprar. Isso rola também em negociações de jogador para jogador, o cara gasta mais do que pode para comprar várias boxes, SDs e etc e revende as melhores cartas por um preço que ele acha justo, que é um pouco menos que as lojas oferecem na maioria das vezes, e os outros que não tem tanta acessibilidade quanto esses, dão a sorte de pegar uma carta dessas e passam pelo valor do mercado para não "sair perdendo". De uns tempos para cá, isso teve uma redução, as negociações jogadores para jogadores cresceram muito, porque os próprios jogadores não são mais tão reféns de lojas como antes e hoje o jogo não é mais tão caro quanto antigamente (Quem foi da era de TeleDAD, por exemplo, deve saber mais que eu), mas ainda existe esse desnivelamento gigantesco em preços de cartas.

E por esses motivos, você se obriga a visitar o quintal de trás da ca$a, mesmo não gostando de muitas coisas, enquanto o dono se satisfaz somente com a sua pre$ença (seu dinheiro, sendo mais claro). 

TCG não tem uma estrutura por trás dele, é apenas um jogo altamente competitivo e em vista de outros, fácil de jogar e que tem bastante nome, além de acessibilidade boa~grande. Você lida mais com um consumidor do que com um consumidor-fã. A Konami deu ao jogador TCG exatamente aquilo que ele quer: Ser tratado como consumidor/cliente de um produto e como toda empresa, ela só quer saber de retirar lucro deles, diferente do OCG, onde você lida com paixão e cultura e isso faz com que as coisas tenham que ser mais elaboradas e de modo mais sútil, já que para manter fiel esse tipo de pessoa é preciso que você dê também o que ele quer.

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Não sei se vão concordar com a lógica que fiz, mas esses são basicamente os principais motivos que diferem OCG e TCG no momento e eles rechaçam qualquer possibilidade de uma possível união de banlists em um curto-médio espaço de tempo, na minha opinião. Espero que tenham gostado e que concordem e que critiquem também, forte abraço. o/


Comentários
8 Comentários

8 Comentários:

Crabcore V.L disse:
16 de dezembro de 2014 15:55

fiquei um pouco chateado com a parte "o jogador TCG ser mil vezes melhor que o jogador OCG " o pessoal do ocg tem muito mais criatividadr e talento no quesito de decks e jogo sempre procuram algo novo e differente nao fica nessa monotoncidade de deck fixo por isso eles topam torneios do OCG com um tier 2 TCG e um TCG so topa com tier 1 ou 0 adimiro 100x mais os duelistas do OCG

LG disse:
16 de dezembro de 2014 16:11

Eles fazem isso porque tem opção, porque lá o objetivo de grande parte deles é outro pelos fatores que falei no post. Pra mim, tcg players são melhores em quesito deckbuilding e skill, apesar de concordar c o que disse sobre a criatividade dos ocg players. E não é porque os caras usam uma variedade maior de decks que eles são jogadores melhores. Não faz muito sentido pra mim isso. Se for assim, Posso montar 300 decks e ser melhor que um jogador que joga com um deck meta, então, e basicamente o ygo não é isso. É vc montar o deck de forma que ele seja o compacto, rápido e consistente possível em prol de alguma estratégia, e dentro dela vc saber usar as armas que o deck tem para sair de algumas situações adversas, e isso na minha opinião, os tcg players sabem fazer melhor.

Crabcore V.L disse:
16 de dezembro de 2014 16:18

as estrategias do TCG sao baseadas no OCG tenho total certeza isso vem do fato que as cartas saem antes no OCG entao nossos amigos do oriente ja criam maneiras de usar a carta ou cartas bem antes entao os TCG so as reciclam ou copiam uma prova e os Qliphorts eles fizeram sucesso no OCG sendo assim farao no TCG as chances deles terem seu espaço no meta e bem grande

LG disse:
16 de dezembro de 2014 16:25

a lógica do modo de usar as cartas é até correta e óbvia, pelo fato da maioria delas sairem antes lá, mas não necessariamente é garantia de sucesso e garantia que tudo vai ser igual lá. Só observar as builds de shaddoll por exemplo com os suportes lançados aqui e lá. Aqui elas são uma coisa agora, enquanto no ocg eram diferentes. Não existe essa, são cenários diferentes. Se não me engano, no mundial a maioria das vezes foi ganho por jogadores do ocidente. Acho que ocg players tem sua parcela de influencia em tcg players por conta do lançamento, mas eles acabam superando-os por conta da experiencia que acumulam com os decks por conta do tempo maior que gastam investindo neles. Enfim, é sua opinião contra a minha e vamos ficar aqui tempos discutindo isso.

Crabcore V.L disse:
16 de dezembro de 2014 16:37

nos torneios mundiais ate onde eu me lembro sao as banlist do tcg acho que eles tem uma situacao pouco mais favoravel a eles

Paulo Ricardo sousa costa disse:
17 de dezembro de 2014 13:45
Este comentário foi removido pelo autor.
todopoderosoreiyakayakaludo disse:
17 de dezembro de 2014 16:18

Por que parece que as cartas japonesas possuem uma qualidade melhor de impressão e de material? É para valorizar o produto nacional?

Nós, americanos, recebemos Legendary Collections e Collector's Tins, diferente dos japoneses.

Knight disse:
17 de dezembro de 2014 23:09

Cara, cada um tem seu estilo de jogar e acabou. '-'