8 de setembro de 2014

Inovações: Trap Line e seu impacto


Vocês não pediram um tipo de mudança no uso das armadilhas do jogo? Pois conseguiram.


Trap Line é o nome em inglês para Linha de Armadilhas. Pois bem, o formato mudou depois do DUEA. Mudou de uma forma bem "Konami": Esqueça tudo que foi feito, esqueçam as siglas de decks antigos, e comecem do novo ponto chamado Duelist Alliance. Os jogadores, obrigados praticamente a aderir a essa coleção que dá início a mais uma mudança profunda no metagame, descartam decks como o consistente HAT para começar a testar versões de Shaddoll, Tellarknight, Yang Zing e até Burning Abyss, um hype que parece estar acabando, graças a Rá. 

Falando em Burning Abyss, vamos deixar algo claro: Eles são compostos por apenas quatro cartas, por conta disso, e de sua estratégia bem clara de jogo, eles são bem fáceis de montar, esses resultados de começo de DUEA foram inesperados, apesar do deck parecer ser ótimo mesmo, ao contrário de Shaddoll, por exemplo. Shaddoll é um deck com imensas dificuldades no começo do jogo, por 2 motivos principais: 

1. A necessidade de começar com Shaddoll Fusion.

2. Os monstros individualmente serem péssimos, devido a lentidão deles, o que trás ao deck uma certa fraqueza no campo.

Esses dois motivos levam a você ter que arrumar uma coisa no YGO chamada standalones. Repetindo isso pelo quinto post, standalones são cartas que se pagam, ou seja, são cartas que jogam sozinhas por contas de seus efeitos, ou nesse caso, que fazem decks evoluir de modo satisfatório e sem prejuízo. Continuando, standalones por características próprias trazem consistência. No caso de Shaddoll, eles arrumaram Mathematican ou Armageddon Knight. Mathematican ainda é superior em um formato controlador. Matou o problema 2. Eles jogam qualquer monstro Shaddoll pro cemitério, ou seja, chegar ao Hedgehod fica mais fácil e ele setado pega a Shaddoll Fusion para a mão. Matou o problema 1, mas ainda é lento, perceberam? É simples, a problemática Shaddoll até o próximo Booster resolvida, até por conta de suas limitações dentro do próprio archtype, onde ele deve receber El Shaddoll Fusion e suas novas fusões e provavelmente, Tellarknight com mais opções e os Star Seraphs e Qliphoth como novidades. 

Voltando ao Burning Abyss, então temos um deck que teve um pequeno Hype por conta da sua velocidade de montagem ser muito menor que a dos Shaddolls, por exemplo. Isso, ao meu ver, prejudicou um pouco outro deck, os Tellarknights, que perderam algumas finais para esse deck, o que podia deixar o deck mais bem visto pelos jogadores nessa largada do formato. Coisa boba, pois após alguns campeonatos depois, BA deu uma desaparecida e o número de Tellarknights se manteve, sinal que todos compartilhavam da mesma visão sobre os BA. 

Saindo desse foco e voltando ao foco da postagem, essa quebra dos Burning Abyss se metendo no meio de Tellarknights e Shaddoll fez com que algumas cartas se sobressaíssem no meio de outras, algumas outras se (des)valorizassem, consideradas até então, staples absolutas, eis os nossos casos da vez:

wiretapsolemn warning

Valorizadas por motivos mais que merecidos, Solemn Warning, Wiretap e Compulsory são ostentadas em 90% dos decks competitivos. Warning é a nossa carta que para qualquer jogada por um turno se usada corretamente, e sua flexibilidade absurda, faz valer os 2000 pontos. Se seu oponente não quer dar de cara com algo quando vai fazer alguma invocação que lhe renderá o controle do campo, é com a Warning. Compulsory não está limitada a toa, ela faz estrago sim, e em um meta dominado por Shaddoll que tem monstros que ativam efeitos quando vão ao cemitério, ela é uma excelente breakdown (Contra Delteros também), podendo ser tão poderosa quanto warning em certos momentos, até mais eficaz por não pagar 2000 pontos, porém, ambos podem ser negadas Wiretap! Sim, a armadilha genérica mais útil lançada nos últimos tempos tem seus méritos, ela para não só a Warning, como para Stellarnova Alpha, cada vez mais decisiva em Tellarknight, como também para Artifact Sanctum (Versões de Shaddoll e Tellar com Artifact tem aumentado) de ativar seu efeito quando sai de campo por retorná-lo ao deck, não esquecendo da Sinister Shadow Games que vira games para Shaddoll. Elas merecem ser usadas sim em Main Decks.

vanity's emptiness

Se destacando em meio a várias armadilhas, vemos PWWB e Vanity. PWWB começou a ser vista com outros olhos quando foi jogado com Burning Abyss, pois geralmente descartavam um monstro deles, disparando seus efeitos e ela voltava Key Cards do campo para o (Extra) Deck como Fusion dos Shaddolls ou o Xyz que vinha do combo Altair e Deneb até Yamatos e Prophecy monsters que deixavam fate engatilhada que poderiam desequilibrar o jogo. A finalidade dela continua a mesma, porém, ela ficou mais decisiva por conta da soberania Shaddoll por atrasá-los demais se usada corretamente. Outros meios de usá-lo é usar no Deneb e fazê-lo voltar ao deck, atrasando o combo com o Altair, e também por conta da própria Vanity, que começou a ser usada como floodgate* de side em vários decks do formato, e foi conseguindo seu espaço até chegar nos main decks. Motivos? As Special Summons do formato ficaram mais decisivas, de certo modo. Os fusions dos Shaddolls decidem o duelo com efeitos de campo e de saída fortes, Deneb > Altair > Deneb > Altair... é o que faz Tellarknight ser demasiadamente consistente, e Soul Charge cresceu em popularidade em vários decks, então ela foi a resposta para decks que não tem esse recurso, igualando seus jogos. 

Sobre PWWB x Vanity, ela faz melhor que destruir a Vanity: Ela volta a carta pro topo do deck e você estará livre para fazer Special Summons. O ideal é você usá-la na End Phase do turno do oponente, no seu outro turno retomar o controle do campo com suas special summons e depois dar de presente a Vanity de dead pro oponente no próximo saque. Parece pequeno, mas é devastador. 

*Floodgate: Cartas de Side que são decisivas quando entram no jogo, a ponto de levarem o game sozinhas, impedindo o oponente de continuar sua estratégia, te dando grande vantagem de jogo. 


Para desvalorizar uma staple você precisa de fortes argumentos. Argumentos esses que te provem que ela é inferior a outras opções de jogo. Torrential Tribute sofre agora do mal de sempre resolver depois da ativação de cartas do oponente, ela sempre vai resolver depois do efeito do Deneb, dos Shaddoll flipados, da Soul Charge trazendo algum Tellarknight com a Stellarnova Alpha te esperando para negá-la por um custo ridículo,  definitivamente Torrential nesse formato deve ser descartada, pois ela não vai te acrescentar em nada no quesito vantagem de jogo, que é o que necessariamente uma armadilha tem que fazer. Bottomless Trap Hole não está pior que Torrential, mas o problema dela é que ela pode ser substituída em 60% dos casos que ela pode agir. É muito mais preferível você negar o efeito de um monstro e ele continuar em campo do que tirá-lo de campo e seu efeito ainda resolver, em alguns casos. Eu particularmente prefiro negar um efeito de um Monarch e deixá-lo em campo, do que usar bottomless nele e o efeito dele resolver e isso vale para alguns outros monstros, além dele não pegar dois dos monstros mais problemáticos do momento: El Shaddoll Winda e Dante. E tellarknight só pode ser aterrorizado por Bottomless em uma situação: Tirar o Deneb no primeiro turno, no mais, Bottomless pode ser uma carta que Tellar lida perfeitamente. E pensem na seguinte coisa: Mais vale usar um par de Vanity's do uma Torrential e uma Bottomless, a probabilidade de você ter mais sucesso é muito maior. 

Outro Impacto:

Essas mudanças na Trap Line fazem alguns decks aparecem pro jogo. O melhor exemplo é Dragon Ruler e o fato deles poderem encaixar perfeitamente todas as armadilhas citadas como boas, e até outras bem fatais, como Skill Drain, que drena e limita os dois decks a serem batidos do formato. Ainda mais que Dragon Ruler é um deck que por característica de ser muito bom para sidear devido a sua flexibilidade, uma característica que fez o deck se manter nos tiers mais altos até hoje. Contudo, Dimensional Prison está a três e como Torrential e Bottomless se desvalorizaram, alguns colocam 3 DP, que é uma carta fatal contra eles.
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Espero que tenha sido bem útil com essas informações, e se liguem, o velho formato que apenas decks do Tier 1 jogam está voltando! Bons Duelos e até qualquer dia desses.

Comentários
13 Comentários

13 Comentários:

Labyrinth Wall disse:
8 de setembro de 2014 16:24

excelente post El Gee, seu post e o do Paradox clarearam minha mente para poder continuar jogando mais de boas nesse novo formato...

e vc me convenceu a usar D. Prison!! =)=)

mentira, não convenceu, mais foi quase!! D=

Carlos Henrique disse:
8 de setembro de 2014 16:45

Ótima análise, simplesmente é fato: mandar pra mão/negar >>> destruir sem duvidas.

Só senti falta de uma coisa: você não ter citado a Spacetime Trap Hole. Talvez não tenha citado pelo fato de penduluns ainda não ganharem seu espaço no meta, por enquanto, mas acho uma ótima carta que com certeza, se caso os penduluns vierem aprontar, ela vai aparecer em muito side.

Guilherme Bratfische disse:
8 de setembro de 2014 16:49

Uma boa análise sobre o formato e, com certeza, o pesadelo está de volta: Poucos decks no meta e esses decks são absurdamente caros, o que é um prato MUITO CHEIO para a Konami.

subonito disse:
8 de setembro de 2014 17:21

Gostava mais da época onde as coleções vinham com um deck novo competitivo (e que durava por mais 3 coleções), parece até que estão estuprando o meta hoje em dia. ;=;

PWWB é uma carta e tanto, ainda mais para decks que tiram proveito do custo, que é o descarte. Além de travar o oponente e tomar a vantagem de campo, você tem uma breve noção do que ele pode tentar fazer e isso é mais que o suficiente, com a ajuda de mais alguma coisa na linha de traps, para decidir o jogo no turno seguinte.

Eu não tinha reparado essa da Bottomless e Torrential, mesmo não jogando tanto com e contra o meta, eu devia ter percebido. Legal desse detalhe é que a Konami tem mais controle do que eu imaginava sobre o jogo sem a banlist, se ela quiser promover algo ela consegue (só de falar ja me lembro da Spellbook of Judgment e fico puto), se ela quiser quebrar algo também e isso só com o lançamento de algumas cartas (lógico que no caso das traps não foi proposital, mas levanta a possibilidade de algo assim se repetir). Banlista pra que?

Belo post LG, volta e meia tenta fazer mais posts como esse: curtinhos, leves e cheio de informação util. E bem vindo de volta.

LG disse:
8 de setembro de 2014 17:44

@Samuca: eu usaria, tá sendo uma carta que tá rendendo uns out em shaddoll fusions e xyz dos tellar e dos burning.

@Carlos: Acho que com o desaparecimento das traptrix dos tops, que se dá realmente a desuso das trap holes, achei que citar a spacetime ia encher a linguiça. Mesmo achando que a nightmare e spacetime são uteis nesse formato. Mais a frente acho que veremos eles voltarem.

@guilherme: sim, vc percebe isso quando no top 16 do ycs madrid foi mais de 50% de shaddoll, algo assim.

@Subo: agora vc tem um meta que perdura por 3 coleções e os archtypes são divididos em cada uma delas. Vc tem a primeira grande leva de cartas, depois vem outras acrescentando e no terceiros os retoques finais, até fazendo o archtype durar mais no jogo.

Obrigado gente, vi uns erros grotescos na postagem, fui avisado de um e já foram corrigidos.

Emerson Martins de Deus disse:
8 de setembro de 2014 19:47

Grande LG, gostei demais do seu post, mas pega mais leve, até doeu no coração quando falou que BA é hype(;-;). Tellarknight e Shaddoll tem realmente uma força maior no metagame(observe, eu gostei que você ressaltou o ycs madrid pelo top 16 e não pelo top 4, afinal podia ter 4 ojama ali e não significaria que foi o deck que chegou tão longe, já que teve draft :v) eu tenho achado que tellar tem jogado quase sem monstro quando vejo uma decklist onde só aparecem 10, mas na prática a gente vê que eles são bem participativos nos duelos xD, Shaddoll eu achei que ia ser até mais chato de enfrentar, claro que é um deck forte e consistente, mas imaginei algo pior e.e, da até para driblar de boa monstro como Winda, mas o pior mesmo é o poder de reciclagem que eles possuem, é até frustante saber que destruindo um Winda ou Construct o oponente irá adicionar uma Shaddoll Fusion a mão e possivelmente fazer outra Fusion Summon no próximo turno, mas é algo com que se deve conviver. Para mim a trap desse formato é a Vanity, foi interessante ela sair da maioria dos sides e pular para os mains, o que ela tem que uma carta como macro(digo cartas de side comuns) não tem, é a possibilidade de "voltar atrás", jogadores tem aproveitado do Tellarknight Unsláoque para usar e abusar de 3 vanity's, pois poderam tira-lá do campo caso necessário de maneira fácil e prática. Você falou aí sobre HAT, até hoje eu não gostei do abandono dos jogadores quanto a eles, continua um bom anti-meta, mas fazer o que se a konami abriu alas para novas possibilidades para jogar na tier 1, outra coisa interessante que começou a ocorrer com o sumiço deles, é o desaparecimento da Debunk dos sides, é uma carta que pode ser usada contra os novos decks como Shaddoll e BA, mas com o desaparecimento de HAT e suas hands o pessoal começou a remove-lá do deck, mas um side que vem subindo é Dirge que pode cuidar de Tellar e BA de uma vez. Eu também concordo com o que você disse, muitas vezes é melhor deixar o monstro no campo e tirar seus efeitos do que remove-ló do campo e ele resolver tranquilamente, muitas vezes você tem que se livrar de um monstro, mas é necessário pensar, eu estou com medo do que aquela carta no campo pode fazer, ou do que os efeitos dela(que seriam usados no campo) poderiam fazer?

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Desculpe pela bíblia(novamente '-'), mas me senti inspirado e tive que comentar '-'

O próximo booster também terá um bom impacto no metagame, se for como no OCG, os Qliphorth vão pegar um pedaço razoável no bolo, mas talvez pela primeira vez o que as exclusivas trazerem poderá ser bem relevante para o futuro do tcg, além do hype dos BA, existe um deck promissor, e as exclusivas podem ser decisivas para o deck no próximo formato.

P.s: Fiquei com uma dúvida, star seraphs(os novos) são exclusivas do OCG(se não me engano), então qual a relevância delas aqui(TCG) quando sair o próximo booster? O.o

Guilherme Lerry dos Santos disse:
8 de setembro de 2014 23:36

BTH e Torrential ficaram com a tela cinza de "se fudeu" auhuahshuasuhas. Mas tá foda que no TCG quem administra melhor as traps é rei, querer jogar com algum deck de Combo não é muito uma opção atualmente e você só vai tomar na fuça. Só vai bater de frente quando chegar os Qliphots que tão cagando e andando pra trap.

Ponponko disse:
9 de setembro de 2014 14:09

Mas madrid n foi draft emerson, Toronto que foi rs.

Bom post Elege. Estou pensando em rodar vanity, mas elas estao caras demais rs. A Bottomless ainda e boa, porque para o Dante de ativar o efeito do grave, e bane Deneb. Nao tem a mesma forca de antes, mas ainda e uma boa carta.

Bruno Silva Monteiro disse:
9 de setembro de 2014 14:44

Pois é cara, é realmente uma pena que de tempos em tempos a Konami invente decks que são muito fortes mais que os antigos, mas isso vai continuar, fazendo com que tenhamos de aceitar os formatos mudando completamente... Quando paro para pensar, tenho certeza que as Hands foram uma das piores ideias da Konami, mas pelo menos fez com que decks mais antigos pudessem ter alguma relevância, se fundidos a elas, e não os tirasse do cenário competitivo, como esses 3 decks estão fazendo. De qualquer maneira, gostei muito do post, ficou bem completo e explicado :)

Adson disse:
9 de setembro de 2014 15:12

Solução pra maioria dos problemas >>>>> Heavy Storm. Sério ela precisa voltar.

Emerson Martins de Deus disse:
9 de setembro de 2014 16:40

@Ponponko, faz um favor? Manda a konami se fuder, cansei de entender como funciona a porra de um YCS O.o
Uma hora é Draft, outra não... vou mandar tudo para pqp :v

Ponponko disse:
9 de setembro de 2014 17:58

Draft e so nos YCS dos EUA

Jason disse:
10 de setembro de 2014 00:19

Na boa, eu não esperava pr essa e não queria, mas realmente me convenceu a usar Vanity no Main Deck substituindo BTH e Torrental, a explicação fora boa e lógica, e notei a veradicidade dps de lembrar de alguns duelos que eu realmente perdi muitos recursos com elas, o exemplo do Monarch eh que se eu ativar BTH nele e tiver mais 2 sets em campo e sem monstros, o oponente simplesmente teria destruido todos os meus recursos em campo, o que seria extremamente ruim!