11 de abril de 2014

Metagame XII - Ban na criatividade.


Como estão, amigos? Vamos a um post bem rápido sobre criatividade nos decks relacionando alguns fatores que vi no jogo ultimamente.



No post passado, eu falei sobre falta de espaço nos decks. Citei, mas não expliquei com todas as possíveis explicações, até porque, isso é uma perfeita introdução para essa postagem em questão. PRRJ foi muito feliz em seu vídeo sobre a Teoria da Upstart tratando do seu uso como uma tentativa de aumentar a probabilidade de decks puxarem staples, agora num número mais reduzido. 


Essa seria a grande resposta para esse questão, se não houvessem outros fatores preponderantes, que ele mesmo citou: Decks jogando basicamente com peças dentro do próprio Archtype, limitando-se a eles e isso remete a falta de monstros Stand-Alones, que são monstros que se pagam, basicamente, que conseguem se aguentar em campo para causar uma dificuldade enorme no adversário, exemplos clássicos: Reborn Tengu, TKRO e Sangan. 

Com a falta de Staples e cartas Stand-Alone, o número de decks criados basicamente com mais de 3 archtypes, como Tengu Plant ou TeleDAD, que eram decks que faziam um apanhado de tudo de bom que existia solto na época, cai drasticamente. Sendo mais direto e respondendo o porque de decks que fazem o apanhado são ruins para a Konami é que geralmente quando eles são formados, eles são muito complicados de serem batidos, a menos que você crie uma superpotência que desnivele o meta como Dragon Ruler, Inzektor ou Wind-Up. Motivos são pontuais: Eles tem o maior número de staples no jogo, onde está sua consistência, que aliado a pequenas techs que puxem uma a outra, a porcentagem de um possível jogo ruim cai, e muito. 


Isso significa o quê? Que por mais que sejam marcantes, sensacionais, decks criados com base na criatividade dos jogadores em cruzar techs e cartas até então, sem nenhuma relação de archtype, é ruim para os negócios. É mais fácil vender 1 ou 2 archtypes INTEIROS ou vender cartas aleatórias, que serão vendidas para todos por serem staples mesmo? Claro que os archtypes. Por mais que você coloque um Dark Armed Dragon por 200 reais cada um, esse é um exemplo só para ilustrar, que seja boss de um deck criativo, ele será a única parte absurdamente cara do deck. O resto vai ser composto basicamente por staples e stand-alones em sua maioria. A questão é aumentar o número de cartas importantes que você não poderá deixar de ter no seu deck e ainda, dividi-las por produtos sucessivos, para que você seja figurinha certa a tentar comprar algo em cada produto, ou você paga um puta dinheiro para pegar só ela separada, ou gasta quase a mesma quantia tentando a sorte em boosters. Isso instiga o jogador a movimentar as suas cartas, movimentar no sentido de vender, comprar, trocar e etc o tempo todo, de mudar de archtype o tempo todo, de ter 2 opções ou mais para torneios, já que como explicado no post passado, a diferença entre os Tiers está muito pequena e qualquer deck pode chegar.

E pior de tudo é que além da falta de cartas, a falta de tempo também agora acaba com suas esperanças. Digamos que depois de tanto treino, de tantos torneios apagados e perdidos na montagem desse deck criativo, você consiga uma build ideal para o metagame daquele momento. Das duas, uma amigo: Ocorreu um lançamento imperdível de uma carta de side muito boa ou com um reforço que eleva a qualidade de um deck, que amplia suas opções ou chegou a Banlist, que é estrategicamente de 3 em 3 meses e que anda pegando decks que nem participam do Tier 1 e que geralmente, muda o metagame e você se sente obrigado a pensar nos decks de outra forma e assim mudar tua lista, gastando mais tempo ainda. 

Então o jogador chega a conclusão que se ele quer ficar no metagame, ele terá que banir sua criatividade para se dedicar a Builds cada vez mais padronizadas por archtypes, já que o número de cartas BEM genéricas diminuiu também, exemplo mais recente: Rekindling. E a partir daí, você não tem muito o que fazer e acaba tendo que no máximo, optar por uma armadilha ou outra, uma cartinha dentro do archtype do próprio deck só por causa de um outro deck concorrente específico, coisas que não estimulam a criatividade do jogador em si. O meta tem crescido muito para o lado Play Skill, isso é inegável, mas para o lado criativo, cada vez pior.

E tudo tem se moldado para isso, produtos, cartas, Banlists... Primal Origin focou em reforços para MUITOS archtypes, como eu não via há muito tempo, e em um bom nível, sendo alguns que sequer pensaríamos em ser tocados, como Scrap e Gusto. Dragons of Legend é o produto a ser batido, nostálgico, competitivo, inovador... Trás cartas que são muito poderosas sozinhas, inova em alguns estilos de jogo e o melhor: Mexe com um número ENORME de decks. Ele vai entrar no deck mais 4fun sobre o Yugi até no deck que ganha YCS. Premium Gold é outro. Rapaz, ele veio sendo sucessor do Gold Series, que era um produtor de reprints nato e do nada, nessa mudança de nome, com a importação de cartas do OCG. A mais destacadas delas, tem nome: Beelze.

Beelze é aquele tipo de carta que você vê a primeira vez e individualmente tem seu poder comparado a cartas lendárias no jogo como Black Luster Soldier, Dark Armed Dragon, guardadas as suas devidas proporções, se lançado em outra época, ele iria ser um candidato a Synchro banido facilmente. Você se impressiona com tanto poder dado a uma carta apenas. E ele é um boss. Exciton é um boss também. O efeito dele pode o deixar ser taxado assim, como o Number 101 também. A verdade é que para deixar o jogo numa velocidade só e lucrar com archtypes e não cartas específicas, a falta de cartas Stand-Alones estão sendo compensadas no poder absurdo dos bosses lançados no jogo. E a escolha disso se baseia nas possibilidades enormes que um deck de hoje pode chegar ao seu extra deck, e agora com Pendulums dando ênfase a isso nas invocações Fusion e Synchro. Extra é mais limitado que o Main, e essa limitação de Staples é o que mais vem acontecendo ultimamente, como citei no começo do post, e Extra não forma decks criativos, ele só encorpa esses decks, são dependentes do Main Deck, que são muito bem controlados pela Konami com lançamentos e Banlist.  

Espero que tenham curtido mais um post sobre Metagame, queria saber se concordam, discordam do meu ponto de vista e etc. Abs o/

Comentários
19 Comentários

19 Comentários:

Anônimo disse:
12 de abril de 2014 00:21

Muito Bom, já vinha pensando sobre isso que você escreveu, concordo com tudo, valeu

Guilherme Lerry dos Santos disse:
12 de abril de 2014 00:27

Viva os simuladores e a liberdade criativa que eles nos dão!

Enzzo Sato disse:
12 de abril de 2014 00:33

Adoro suas reviews do meta =D

LG disse:
12 de abril de 2014 01:25

Obrigado pelos comentários, amigos. E sim Guilherme, viva aos simuladores, pelo menos nele temos alguma liberdade!

Carlos Alberto Alberto disse:
12 de abril de 2014 08:39

Realmente ta difícil Comprar certas cards por causa desse sistema que a konami faz.

Emerson Martins de Deus disse:
12 de abril de 2014 08:40

Me diz uma coisa, como você cita o Black Luster Soldier e não cita o Chaos Emperor Dragon? Isso sim é lendário! kkk

Enfim, gostei muito do post, e obviamente eu concordo, é fácil concordar quando você pensa na ultima carta "Stand Alone" como você fala que foi lançada, sinceramente, eu não lembro, e se foi lançada mesmo eu acho que não teve muito importância para o jogo.

Esse Beelze aí é um monstro com muito Hype, é como eu disse antes e ainda repito, o Leo que passou um pouco despercebido pela maioria dos jogadores faz um Control muito melhor que o Beelze, claro que levando em consideração a época que nós estamos, é como você disse, em outra época ele seria bem mais ameaçador, ele continua sendo uma ótima carta, mas já vi gente dizendo que ele ia desequilibrar o metagame, O METAGAME, sem falar que alguns acham que para parar ele nós temos que usar cartas especiais, quando as cartas que costumamos usar nos nossos decks já o fazem.

Porthos disse:
12 de abril de 2014 11:32

Adorei o post, só afirmo que uma situação contrária também seria catastrófica aos criativos: um jogo com muitas staples é absurdamente chato de se construir qualquer coisa.

@Emerson: Os ultimos standalones lançados foram Kuriboh Bandido e Matemágico.

LG disse:
12 de abril de 2014 12:22

Então, é ai que vou entrar, alguém comentou o ponto que queria chegar.

Não se enganem sobre o Matemático e o Bandido, são stand-alones sim, porém, eles são muito mais um reforço para decks baseados no cemitério do que stand-alones de verdade. Bandido vem para reforçar claramente os Sylvan ou qualquer coisa que se tenha muito monstros no deck e poucas spells e que esses monstros no cemitério sejam muito bons, enquanto o matemático vem para ser uma foolish com pernas mais limitado, podendo se encaixar mais uma vez em decks que queiram monstros no cemitério. São stand-alones, são, mas são monstros que AGORA não foram lançados para serem stand-alones e sim reforços pontuais a varios decks, como algumas outras cartas do dragons of legend.

Emerson, eu usei o beelze como exemplo porque, como disse, o efeito dele individualmente é absurdo! Claro, numa situação de jogo é mais facilmente abatido que o leo.

Obrigado pelos comentários porthos, carlos e emerson <3

Emerson Martins de Deus disse:
12 de abril de 2014 13:14

@Porthos, mas eles ainda não foram lançados cara u.u

E vlw por responder LG o/

Carlos Alberto Alberto disse:
12 de abril de 2014 13:30

O beelze é muito bom mas quando eu jogo ele só dou azar pq ou levo um eff do 101 ou levo o eff de um lightning plover...azar Demais isso kkk

Anônimo disse:
12 de abril de 2014 13:32

Ótimo post e ótima análise de jogo, creio que foi a melhor análise que li em um bom tempo, parabéns e continue assim.

LG disse:
12 de abril de 2014 13:42

HAUHUAHUAHUA po carlos, por isso que quando sempre trago ele, é em def. Tomar 101 em qualquer turno tem sido bem comum.

Vlw emerson o/

Obg anony <3

Porthos disse:
12 de abril de 2014 13:46

@LG: Com certeza, elas não são tão genéricas quanto Tengu, mas superar outros standalones recentes, como o Myrmelo e o Carro.

Por isso, acho que seja inflar informação dizer que são reforços pontuais. Essas porras podem entrar em praticamente qualquer deck.

Na minha opinião, o que ocorre, é hoje em dia monstros standalone não se pagam tanto. Você pode colocar um Rai-Oh no seu deck, que trava MUITO o jogo, mas não tem sinergia alguma com seu deck, ou você pode usar deck thinning/combo cards que agilizam o seu jogo e/ou tem uma sinergia mais eficiente. O jogo simplesmente mudou.

P.S: Acho valido no próximo artigo de metagame você falar (again) de trending topics. Afinal, na mesma semana o PRRJ e o Boyajin inseriram no jogo competitivo um conceito de cartas que eu particularmente não conhecia nem nunca soube de alguém que citasse, em artigos contemporâneos ou antigos.

LG disse:
12 de abril de 2014 13:53

Beleza, farei! Boa Ideia.

O jogo mudou mesmo. A questão é que o genérico de hoje é muito desequilibrado, sim, desequilibrado, já que qualquer carta com um efeito melhorzinho e genérico dentro de um archtype, como por exemplo, um searcher level 4 de fish/sea-serpent em mermail ia ser algo monstruoso na minha opinião. Como um crane crane para level 4 também seria foda demais para decks rank 4 toolbox, já que os rank 4 hoje estão dominando o jogo, deixa aquele archtype muito distante dos outros. É uma pena, mas é bem como vc disse, poderia ser mt pior se fosse o contrário, staples demais atrapalham. Porém, acho que deveria ter um meio termo, se isso pode haver nesse sentido.

Daniel Minighiti disse:
12 de abril de 2014 18:32

Se o jogo fosse cheio de staples, ele ficaria MUITO mais de sorte, já que para ganhar o jogador teria que puxar a certa na hora certa... Alem de que o deck ficaria muito sem sinergia, já que seriam um monte de cartas fortes diferentes juntas. Iria atrapalher muito se fosse ao contrário, mas um meio termo como o LG falou ia ser melhor, ao inves de banirem ou limitarem 90% das staples...

É o que eu acho, posso estar errado...

TheBestCombos disse:
12 de abril de 2014 22:48

Parabéns pelo post e sobre os Stand-alone a konami ta lançando uns bem interessantes no Dragons of Legends, tanto que consegui montar um deck sem um arquetipo :) http://i.imgur.com/7yxsWVy.png

Anônimo disse:
13 de abril de 2014 10:57

Giant trunade, change of heart, monster reborn, premature burial, raigeki, confiscation, delinquent duo, painful choice, snatch steal. Todas staples e cartas magicas q podem ser usadas instantaneamente. Efeitos poderosos e instantaneos compensam a "falta de sinergia" que alguns consideram como muito grave. Qt ao beelze, sabe de sua fraquezas se possivel invoque junto com ladd ou felgrand para protege-lo. E trap stun sempre ajuda.

Gabriel Andrade disse:
22 de abril de 2014 15:58

O metagame alcançou um ponto em que eu me aurpreendi ao perceber, qualquer deck atualmente está ganhando novos suportes diretos e indiretos, e isso desperta a criatividade de novos players e cria um meta mais variado. Antigamente você montava um deck já sabendo que tipos de deck iria encarar, e isso causava problemas caso aparecesse um cara com um deck que você não esperava encontrar, isso ja aconteceu comigo uns meses atrás e com algubs de vicês também. Tá certo que ainda existem os favoritos, que são mais usados por seren convenientes, mas tem muitos decks que passavam despercebidos anos atrás que estão ganhando força na mão de jogadores criativos. Sobre os Stapples, acredito que quanto mais genérica a carta, mais fácil de usá-la, e este o motivo deles serem mais perseguidos pela banlist do que outras cartas, geralmente quando a banlist pega uma carta de arqutype é por ela ser OP, ter eff genérico/variado, ou ter tornado um deck fora do arqhtype muito mais poderoso que o que deveria ser, então acho que Stapples, pelo menos cartas como Pot of Greed, Raigeki, Harpie Feather's Duster e Algumas outras deveriam ser mantidas fora do meta para o bem do jogo e para os players aprenderem a buscar outras općões para seus decks.

Dragon of Legends: apesar de muitos falarem que este booster ser mais nostálgico que competitivo, e por isso vai dar lucro pra Konami, eu vi grandes cartas, que simplesmente fariam total diferença em alguns decks (Dark Magician e os Egiptian Gods que eu diga!), também seria estimulante ver estes decks pegando top no futuro

Kakori disse:
21 de junho de 2014 20:17

Matéria old, mas não custa comentar.

Sinceramente, eu prefiro um formato em que cada um use seu arquetipo do que um em que todo mundo use as mesma cartas, um formato com muitas staples gera vários deck iguais. Tu pode ter 2 arquetipos diferentes, mas tu vai ver que ambos usam Monster Reborn, Heavy Storm, Dark Hole, MST, Bottomless, Torrential, etc. Hoje em dia isso é em uma escala menor, ainda existem cartas genéricas decentes, mas muitas são deixadas de lado para outras do próprio Arquetipo.

Eu só acho que dentro do Arquetipo deveria-se ter mais opções, pense em E-Heroes, mesmo sem considerar os outros Heroes, se todas as cartas fosem boas teria-se muitos estilos dentro do próprio arquetipo, mesmo Mirror Matches não seriam tão "Mirror" assim.